Foto:Fonte: Agência EM TEMPO
A unificação do fuso horário no Brasil, tendo como base a hora oficial de Brasília, aprovada pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, não conta com a simpatia popular, como foi constatado em enquete realizada pela Agência EM TEMPO, mas tem a favor de si a opinião de especialistas de economia e de energia, que apostam em benefícios, principalmente no setor bancário. Mas tudo vai depender da adaptação do amazonense, que terá que acordar uma hora mais cedo, ainda sem a luz solar, para as atividades de rotina. Na prática, o fim do fuso horário deixaria Manaus em permanente ‘horário de verão’, em relação à maioria das cidades brasileiras.
A última experiência nesse sentido, realizada em 1997, quando o governo brasileiro criou o horário de verão para economizar energia, e se transformou em verdadeiro desastre para o Amazonas. Ao contrário dos outros Estados, onde a experiência deu certo, aqui não houve redução de consumo e sim aumento, além dos transtornos às famílias obrigadas a levantar ainda no escuro para ir ao trabalho e levar os filhos às escolas.
“A adaptação seria muito difícil, principalmente para as crianças”, diz o marceneiro João Carlos Loureiro, 53, que hoje já levanta às 5h para levar a neta de cinco anos à escola e depois seguir para o trabalho. “Se houver a mudança, tudo terá que ser feito com mais rapidez”, afirma.
Para o secretário municipal de Educação, Vicente Nogueira, a mudança em nada alteraria o desenvolvimento escolar das crianças. “Quem acorda uma hora mais cedo dorme uma hora mais cedo, também”, defende o secretário. Para ele, tudo é uma questão de adaptação. “As pessoas não gostam de mudanças, mas logo acostumam com elas”, disse.
A justificativa do projeto, de autoria do senador amazonense Arthur Virgílio Neto (PSDB), é acabar com as diferenças nos Estados do Amazonas, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima que provocariam vários transtornos, o principal deles por, teoricamente, criar um descompasso nas economias das capitais desses Estados em relação às do Sul e Sudeste, trazendo prejuízos ao setor bancário, comercial, de comunicações e de transportes.
“Se o problema é a diferença no horário bancário, não é mais fácil e prático mudar o horário bancário que mudar a lógica geográfica?”, ironiza o vereador Marcelo Ramos (PCdoB). Para ele, as questões econômicas usadas como justificativa do projeto não justicam nada. “Se fosse assim, o mundo inteiro teria que ter o mesmo fuso horário e a terra ainda teria que parar de girar!”, graceja. Ele insiste que seria muito mais fácil o Senado aprovar uma lei unificando o horário bancário em todo o país, sem ter que mexer com a rotina, os hábitos e a vida das pessoas. “A unificação do fuso horário não vai influenciar em nada a vida do amazonense”, garante.
O economista Rodemark Castelo Branco não concorda. Ele acredita que a mudança pode trazer grandes benefícios ao Estado, principalmente relacionados a transações bancárias que terão início e fim igual aos grandes polos econômicos do país, facilitando assim grandes negociações. “Essa unificação não trará impacto negativo, muito pelo contrário. Parar de seguir o horário de acordo com a geografia é, sem dúvida nenhuma, uma atitude mais racional”, defende.
Na contramão dos argumentos do economista e do autor do projeto, o Amazonas é o Estado de maior poder econômico da região, superando o Pará e Rondônia, onde o horário é similar ao de Brasília. Também, nessa linha de raciocínio, o Japão, uma das maiores economias do mundo, consegue a distinção apesar de um fuso horário de aproximadamente 12 horas que o diferencia dos países ocidentais com quem mantém negócios.
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