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Cotidiano>> Falece em Manaus um grande poeta: Aníbal Beça

quarta-feira, 26 de agosto de 2009 | 26.8.09 WIB Last Updated 2010-02-08T18:40:42Z
Faleceu na manhã de ontem (25), vítima de complicações renais e infecção generalizada decorrentes do diabetes, o poeta, compositor, teatrólogo, jornalista e amazonense apaixonado por sua terra, Aníbal Beça, de 62 anos.

De acordo com o filho do escritor, Ricardo Antonio Turenko Beça, que também é médico e acompanhou o pai na luta contra o diabetes, Aníbal foi internado por conta de complicações renais, que culminaram em uma infecção generalizada. "Todos os procedimentos médicos foram realizados, mas infelizmente ele não resistiu", disse em entrevista ao Portal Amazônia.

+Saiba mais poesias que Aníbal criou

Em junho deste ano, Aníbal Beça já havia sido internado na Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital Beneficente Portuguesa, onde foi submetido a hemodiálise, depois de complicações renais decorrente do diabetes. Em pouco tempo ele conseguiu se recuperar e retornou à dedicação à literatura e à cultura amazonense.

O velório do escritor foi realizado, por volta das 10h30, na funerária Almir Neves da rua Monsenhor Coutinho, no Centro de Manaus. Segundo Ricardo Turenko Beça, o enterro ocoreu às 16h, no cemitério São João Batista, na zona Centro-Sul.

>>O Estado sem as palavras de bravura de Beça

Serafim Corrêa fez uma grande homenagem em seu blog.

Para o também escritor, Tenório Telles, Aníbal Beça deixa um extenso legado cultural que se incorpora à história da literatura do Amazonas.

"O Aníbal é um dos mais importantes escritores da geração dele e firmou o seu nome na poesia, por força do seu trabalho, da sua preocupação com a construção de uma poética fundada no zelo pela linguagem e com o rigor formal, ao mesmo tempo que aliou sua atividade intelectual com a função de animador cultural da cidade", destacou.

Aníbal era pai de quatro filhos: Aníbal, Ricardo, Sacha, e Regina, esta última, filha de criação do poeta. "Perdemos um grande espelho, um grande modelo de candura, bondade e generosidade", disse Ricardo, emocionado.

>>Em breve biografia com toda vida de Beça

Aníbal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto nasceu no dia 13 de setembro de 1946 e ocupava a cadeira de número 28 na Academia Amazonense de Letras. Além dos inúmeros trabalhos em poesia que publicou durante sua vida literária, o escritor era bastante conhecido como animador cultural no Estado.

Trabalhou como repórter, redator e editor, em todos os jornais de Manaus. Foi diretor de produção da TV Cultura do Amazonas, conselheiro de cultura, consultor da Secretaria de Cultura do Amazonas.

O poeta também foi vice-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE-AM), presidente e vice-presidente da ONG “Gens da Selva”. Presidiu o Sindicato de Escritores do Estado do Amazonas e Conselho Municipal de Cultura.

Neste ano de 2009 completaria 43 anos de atividade literária e 47 de atuação na música popular, tendo vencido inúmeros festivais de MPB por todo o Brasil.

+Veja um dos poemas de grande reflexão

Bruto Tributo

Desde sempre
a cobra morde o próprio rabo,
e tudo recomeça e se acaba
numa mandala girante,
e vira e mexe e volta,
e vai ser bruta matéria
refinada pelo papo
de alguma pelikan
sangrando de azul
as penas de garças afoitas:
folhas brancas em campo blau.

À benção poeta!
Tudo é tema para poesia.

Teu tributo é teu poema,
que pagas no reverso do verso
e se abusa da paciência
e dos cegos aspeados de plantão.

Onde, os dracmas
dos donos do drama?
Com Mandrakes?

Tua pena não se aluga
se doa a Bil que é Severino,
e a Ribamar que é José
saídos de ventres marianos.

No circo
erras pelo picadeiro,
e ficas com os atirados
às feras de sempre:
retirantes do barreiro,
os mesmos moldados
filhos do barro
barrotes do oleir-Mór - Ele.

E os outros assistem
da platéia
a argila se derretendo
viscosa
para o repasto ardiloso
de muitos leões famintos.

Dai a César então
os muitos partos,
a moeda nascitura
cesariana
bem-vinda de dúvidas
no forceps da dívida.

Ó tributário rio
contrariando Heráclito
tu voltas em eterno retorno
e deságuas nas mágoas
de versos ressequidos
para a goela de muitos orós
para as águas grandes
de marombas manjedouras
de palafitas alagadas
em alugadas preces.

Até quando abusarás?

Aníbal Beça (13/09/1946-25/08/2009)

Publicado por Redação, com info de Portal Amazônia
Fotos: Divulgação
Imagem: Reprodução


Permitida reprodução deste citada a fonte.
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